Por que é tão difícil desapegar?

Na hora de organizar uma casa, as personal organizers são unânimes em dizer que se comece o processo pelo descarte, uma das fases mais difíceis para o cliente. “Ah, mas se um dia eu precisar disso?”, “se esse vestido voltar à moda”, “se eu emagrecer e couber nesta roupa?” “eu ganhei isso de presente da minha irmã, como posso jogar fora?” É muito complicado mesmo nos desfazermos de objetos pelos quais temos um sentimento, que nos fazem lembrar de uma viagem ou de um momento marcante de nossas vidas.

A guru da arrumação, a japonesa Marie Kondo, é categórica no assunto descarte. “Guarde apenas o que te faz feliz”, diz ela, que vendeu mais de 5 milhões de cópias de suas obras “A Mágica da Arrumação” e “Isso me Traz Alegria”. Kondo também é considerada pela revista norte-americana Times uma das mulheres mais influentes do mundo. Quem compra seu pequeno livro nem imagina a profundidade com que  toca as pessoas.

Vivemos numa era consumista, mas isso está sendo aos poucos questionado. Afinal, as pessoas já estão se dando conta de que o acúmulo de coisas não traz felicidade permanente. As oito horas de estresses diários são levemente atenuadas com uma compra no shopping. Mas esta sensação de prazer dura apenas algumas horas. Então, por que acumulamos tanto? Na verdade, acredito que esse comportamento seja mais inconsciente e cultural do que racional. Quem não viu a avó guardando potes de requeijão ou potes de margarina?

E o que isso tudo tem a ver com espiritualidade? Voltando às vovós, elas carregavam memórias de tempos de Guerra, quando precisavam estocar alimentos. Mas elas não sabiam que ao desapegar, nossa vida entra em sintonia com a abundância pois não tem como encher algo que está cheio. Ou seja, o vazio tem mais relação com a prosperidade, porque algo cheio não é capaz de receber algo mais.

Quando liberamos objetos que já não fazem mais sentido e que nos fizeram felizes no passado, a guru da arrumação indica que o façamos com sentimento de gratidão. Enfim, quando doamos algo (nada de dar coisas manchadas e rasgadas), dizemos para a vida que temos algo a oferecer e ela nos retribui com muitas bençãos.

Priscila Almeida -jornalista, professora de Yoga e personal organizer

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s