Do fundo da caverna do coração


O homem sai de sua caverna com pedaços de pele de animais cobrindo partes de seu corpo e vai à caça. Uma dose de adrenalina é necessária para que este homem possa sobreviver no seu meio. Uma onça aparece e uma série de hormônios são liberados na corrente sanguínea do caçador, entre eles o cortisol.

Cerca de um milhão de anos depois, nosso cortisol é liberado ao sairmos de casa rumo ao trabalho ao enfrentarmos os desafios do tráfego na cidade. Logo, temos que conviver com colegas e chefes que cobram metas e comportamentos que não podem ter a reação de “homem das cavernas”, mesmo que sintamos o ímpeto. Precisamos nos conter e respeitar as ordens sociais e engolir muito sapo para garantir nosso emprego ou atividade profissional.

O problema, é que diferentemente do homem de um milhão de anos atrás, não temos uma dose de relaxamento e pausa significativos ou até mesmo gasto energético que equilibre os níveis de adrenalina. A agressão não é mais dos ursos e leões; são pequenas violências mentais, comportamentais e sociais, invisíveis aos olhos, mas muito vividas no nosso corpo físico.

Então vamos dormir e rangemos os dentes. Temos queda capilar, alergias, insônia e fadiga. No trânsito, um motorista ultrapassa nosso carro de forma repentina e ficamos muito irritados. Quando nos demos conta, percebemos que estamos sofrendo uns dos males do século, o silencioso, e muitas vezes fatal, estresse.

O hormônio relacionado ao estresse é o cortisol e ele foi muito útil para que nossos ancestrais reagissem rapidamente às feras que ameaçavam sua existência, e preparavam o corpo do indivíduo para estar pronto para a luta ou a fuga. No entanto, nossa sociedade atual, além de não dispor de meios para atenuar estes estímulos ao cortisol, também não está culturalmente educada e orientada a viver de forma mais compassiva e amorosa.

É urgente uma mudança de comportamento frente a nós mesmos e às pessoas com quem convivemos. Uma das formas de mantermos o equilíbrio de nossas glândulas, entre elas as responsáveis pelo cortisol, que é a supra-renal, é através da prática de Yoga. Quando praticamos com regularidade os ásanas (posturas de Yoga), mantemos as principais glândulas saudáveis e assim, conseguimos ter mais preparo para viver na Selva de Pedra que são as médias e grandes cidades.

Muitas posturas de Yoga estimulam a glândula timo, ligada ao perdão e esperança e à meditação, e auxiliam o desenvolvimento do nosso córtex pré-frontal, relacionado ao sentimento de compaixão. Yoga e meditação não é modismo e nem uma forma de ficarmos “sarados”. É uma necessidade humana para que possamos acessar nossos corações para viver com mais harmonia.

Namaskar!

Texto inspirado no conteúdo do curso de Biopsicologia do Parque Visão Futuro.

Esta é uma contribuição da colaboradora do blog Priscila A. Almeida, jornalista e professora de Yoga em Florianópolis. 

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